Instituições católicas se unem para desinvestir

Setembro 12, 2018

Instituições católicas em todo o mundo estão assumindo um novo compromisso de desinvestir em combustíveis fósseis. O grupo composto por 19 instituições lideradas pela Cáritas Índia e a Conferência Episcopal Irlandesa anuncia hoje seu desinvestimento. A lista completa com as instituições que estão anunciando este desinvestimento encontra-se disponível aqui.

O desinvestimento da Cáritas Índia é especialmente significativo devido às enchentes de Querala, que foram ocasionadas por uma estação chuvosa extraordinariamente intensa. É esperado que as mudanças climáticas alterem os padrões de chuva em grande parte da Índia.

O bispo Lumen Monteiro, presidente da Cáritas Índia, disse: “as mudanças climáticas tiveram um impacto negativo na vida e no sustento das comunidades da Índia, especialmente das populações pobres e marginalizadas. A frequência dos eventos climáticos extremos aumentou na última década, e o último que ocorreu em Querala tomou mais de 400 vidas e deixou mais de um milhão de desabrigados. Levará muito tempo para superarem essa tragédia. Na Cáritas Índia, nossa missão é levar o amor e a compaixão do evangelho às pessoas que necessitam, e, para isso, precisamos abandonar os combustíveis fósseis, que causam tantos sofrimentos”.

Criança no acampamento de deslocamento, Caritas India

Instituições na Índia se unem a outras no Paquistão e em Bangladesh, refletindo a unidade do subcontinente quanto à urgência de uma abordagem para a crise climática. Instituições no Quênia e em Fiji, países diretamente afetados pela crise climática no hemisfério sul, também anunciam seu desinvestimento hoje.

A Conferência Episcopal Irlandesa, que já havia anunciado sua decisão em 24 de agosto, se solidariza com o compromisso conjunto dos grupos católicos em todo o globo. Esta é a segunda conferência episcopal do mundo a desinvestir publicamente, após a Conferência Episcopal da Bélgica.

Durante o anúncio, William Crean, bispo de Cloyne e presidente da agência católica de ajuda humanitária na Irlanda, Trócaire, disse: “Evitar maiores mudanças climáticas e proteger nossa casa comum requer uma grande mudança de direção, como o Papa Francisco destaca na Laudato Si’. Em especial, requer uma grande mudança em nossas políticas de investimento e energia, trocando os combustíveis fósseis altamente poluentes por formas mais limpas de energia renovável”.

São Paulo, Dublin

Bancos católicos na Alemanha e na Áustria, duas arquidioceses na Itália e instituições na Bélgica, Canadá e Estados Unidos representam o hemisfério norte.

Grupos católicos estarão anunciando seu desinvestimento em combustíveis fósseis na Cúpula Global de Ação Climática, um encontro internacional de entidades não governamentais comprometidas a solucionar a crise climática. As instituições católicas estão ganhando cada vez mais visibilidade no movimento mundial de desinvestimento em combustíveis fósseis, com organizações religiosas representando mais de um quarto dos compromissos registrados. Até o presente momento, um total de 122 instituições católicas já anunciaram seu compromisso de desinvestir em combustíveis fósseis.

A comunidade cristã enxerga a proteção ambiental como um elemento essencial de sua fé. Este anúncio coincide com o Tempo da Criação, uma celebração de ação e oração pelo meio ambiente, com duração de um mês, por parte de cristãos em todo o mundo. A primeira declaração conjunta de apoio da celebração conta com o Cardeal do Vaticano Peter Turkson, arcebispo de Canterbury, o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I e diversos outros. Centenas de apoiadores estão respondendo ao chamado desses líderes, organizando eventos em suas comunidades locais. Um mapa com os eventos registrados até o momento encontra-se disponível aqui.

Tomás Insua, Diretor Executivo do Movimento Católico Global pelo Clima, disse: “Durante décadas, a Igreja nos chamou a agir contra as mudanças climáticas. Agora, à medida que o nível do aumenta, os desertos se ampliam e as tempestades se intensificam, nossos irmãos e irmãs mais vulneráveis nos chamam com urgência para tomar decisões corajosas que os protejam. As instituições que hoje desinvestem em combustíveis fósseis estão fazendo a parte que lhes cabe para reduzir a taxa de emissões a curto prazo, e nós aplaudimos sua liderança e visão”.