Novo marco para o desinvestimento

Setembro 9, 2019

Um grupo diversificado, composto por instituições religiosas que somam US$ 11 trilhões em ativos, acaba de assumir o compromisso de desinvestir em combustíveis fósseis por meio de um acordo anunciado hoje na Cidade do Cabo, África do Sul. Esse é um importante marco do movimento que se iniciou cinco anos atrás, com instituições que detinham US$ 50 bilhões em ativos.

Dentre as 1.100 instituições religiosas do movimento, as novas signatárias incluem 15 instituições católicas, como a Conferência Episcopal das Filipinas e as agências Cáritas na Itália, Singapura, Austrália e Noruega. Os sete novos signatários protestantes incluem a Igreja Reformada Unida do Reino Unido, Catedral Episcopal de Santa Maria em Edimburgo e o Sínodo das Igrejas Reformadas Unidas de Wessex, Reino Unido.

As autoridades islâmicas nos Estados Unidos e Canadá emitiram uma fátua, ou pronunciamento legal, sobre os combustíveis fósseis. A fátua convoca gestores islâmicos a desenvolver meios de investimento isentos de combustíveis fósseis e os muçulmanos a investir em energia renovável.

Numa declaração anterior ao anúncio de desinvestimento, o Papa Francisco disse que “é hora de abandonar a dependência dos combustíveis fósseis, empreendendo rápida e decididamente transições para formas de energia limpa e de economia sustentável e circular”.

A Catedral Episcopal de Santa Maria em Edimburgo, na Escócia, se tornou a primeira catedral do mundo a desinvestir em combustíveis fósseis. Em toda parte, o desinvestimento se faz especialmente necessário para as instituições do hemisfério sul, que suportarão o fardo das mudanças climáticas.

Uma estimativa da ONU sugere que a África Oriental já sofreu um aquecimento médio de 1,3ºC ao longo das últimas décadas. As subsequentes secas e as chuvas torrenciais podem se mostrar catastróficas para os agricultores de subsistência. “Nós, como Igreja, temos que advogar por fontes alternativas de energia”, disse Pe. Paul Igweta juntamente com a Associação dos Membros das Conferências Episcopais da África Oriental. “É nosso dever cuidar das futuras gerações”.

Esse anúncio de desinvestimento se dá na Financing the Future, uma cúpula em andamento na Cidade do Cabo, que se dedica a acelerar os investimentos numa economia limpa. Em oposição às “mudanças climáticas induzidas pela ganância”, o arcebispo Jean-Claude Hollerich de Luxemburgo, presidente da Comissão Católica das Conferências Episcopais da Comunidade Europeia, convidou os participantes a “deixarem os setores e modelos de destruição e se voltarem para a oportunidade de promover a vida”.

A lista completa com as 22 instituições que estão desinvestindo encontra-se aqui.